Quando um CRM implode uma empresa
- Claudio Ozorio

- há 13 minutos
- 2 min de leitura

Em muitas empresas, o problema nunca é assumido de forma direta: o time comercial não performa como deveria, os processos são frágeis e o fluxo de vendas existe mais na cabeça das pessoas do que na operação real. Ainda assim, ao conversar com gestores e vendedores, a resposta costuma ser a mesma: “a gente sabe o que está fazendo”.
O detalhe é que esse “saber” raramente está documentado, registrado ou centralizado. Não há histórico confiável, não há rastreabilidade e não há visibilidade real do que acontece entre o primeiro contato e o fechamento da venda.
Diante desse cenário, surge a solução aparentemente óbvia: implementar um CRM.A ideia é simples e legítima. Desenhar o funil de vendas, registrar etapas, organizar informações e permitir que diretoria e gestores consigam enxergar, com dados, o que está acontecendo. Em essência, o CRM entra como uma ferramenta de auditoria do processo comercial.
Quando o CRM é implementado, porém, o choque acontece.
O que aparece não é eficiência. É desorganização.Cada vendedor segue um fluxo diferente. As etapas não são respeitadas. Os registros são incompletos ou inexistentes. A ferramenta passa a ser vista como burocracia, perda de tempo ou algo “desnecessário”. Surgem frases clássicas do mercado: “sempre fiz assim”, “isso não vende”, “CRM atrapalha”.
Enquanto isso, os números confirmam exatamente o contrário do discurso.
O problema se aprofunda quando o CRM começa a expor não apenas falhas do time comercial, mas também da gestão. Fica evidente que não havia acompanhamento consistente, que o processo nunca foi realmente gerenciado e que o controle existia muito mais no discurso do que na prática.
Nesse momento, a dinâmica interna muda.O CRM passa a ser visto como o vilão.A ferramenta é acusada de “criar problemas”, quando, na realidade, ela apenas revelou o que já existia.
É aqui que muitas empresas entram em colapso interno. O CRM escancara uma contradição difícil de lidar: a diferença entre aquilo que a empresa acreditava dominar e aquilo que, de fato, estava sendo feito. A implosão não vem da tecnologia, mas do confronto com a própria falta de maturidade operacional.
A partir desse ponto, restam duas escolhas claras.
A primeira é abandonar o CRM, esconder os dados, suavizar os controles e manter a aparência de que tudo está sob controle. O problema segue existindo, apenas volta a ficar invisível.
A segunda é aceitar a implosão como um passo necessário. Derrubar processos frágeis, rever papéis, redefinir fluxos, criar rotinas de gestão e reconstruir a operação comercial com base em dados, método e coerência.
CRM não quebra empresas.Ele só remove a maquiagem.
A pergunta que fica é simples e desconfortável:o problema está realmente na ferramenta ou na maturidade da operação comercial?
Se você já viveu algo parecido, vale compartilhar sua visão. Esse tipo de discussão é mais comum do que parece.
E se a sua empresa está justamente nesse ponto de atrito entre discurso e realidade, meu trabalho em mentoria, consultoria e implementação de funil de vendas e CRM começa exatamente aí: transformar caos invisível em processo claro, gerenciável e sustentável.




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