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Pantone x WGSN/Coloro: o debate sobre a cor do ano de 2026

  • Foto do escritor: Claudio Ozorio
    Claudio Ozorio
  • 9 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Entre o silêncio do branco e o movimento do verde, qual narrativa faz mais sentido para o próximo ano?


Todos os anos, as empresas que ditam tendências globais de cores influenciam moda, decoração, indústria, comunicação, consumo e comportamento. Em 2026, porém, algo diferente aconteceu: Pantone e WGSN/Coloro entregaram narrativas completamente opostas sobre o que o mundo precisa.E é exatamente isso que torna o debate interessante.


O que a Pantone quer dizer com o branco Cloud Dancer

A Pantone escolheu para 2026 a cor Cloud Dancer (11-4201), um branco quase absoluto.Segundo a empresa, o mundo vive uma fase de excessos: excesso de estímulos, excesso de informação, excesso de velocidade. Diante disso, o branco seria um convite à introspecção, um espaço de pausa, silêncio e clareza mental.

A mensagem é:“2026 precisa de serenidade, recomeço, um respiro.”

Mas essa escolha gerou polêmica, e por bons motivos.



O branco nunca significou paz e isso importa para a discussão

Historicamente, o branco não é um símbolo universal de paz.

A associação entre branco e paz vem principalmente de tradições religiosas, clericais e simbologias ocidentais (como roupas litúrgicas e iconografias cristãs). Ou seja:→ não é um significado intrínseco→ não é um conceito global→ não é um consenso cultural

No sentido técnico e semiótico, o branco está muito mais ligado a:

  • ausência

  • silêncio

  • neutralidade

  • espaço vazio

  • limpeza

No design, ele não representa paz — representa fundo, respiro, vazio útil.

E isso tem implicações práticas:→ uma marca branca só existe se houver um fundo contrastante.Sem contraste, o branco desaparece. Ele é um suporte, não um protagonista.

Essa dualidade reforça a crítica:

eleger o branco como cor do ano e carregá-lo de sentidos emocionais é, no mínimo, uma interpretação cultural específica não um significado intrínseco.


A visão oposta da WGSN/Coloro: movimento, ação e regeneração

Na direção contrária, a WGSN (em parceria com a Coloro) escolheu para 2026 o tom Transformative Teal, um verde-azulado profundo, vibrante e vivo.Aqui, a narrativa muda completamente.

O tom representa:

  • reconexão com a natureza

  • responsabilidade ambiental

  • regeneração

  • propósito

  • ação consciente

  • energia para mudança

Enquanto a Pantone fala em interioridade, a WGSN fala em exterioridade.Enquanto a Pantone convida ao silêncio, a WGSN chama para o movimento.Enquanto a Pantone sugere calma, a WGSN sugere envolvimento ativo.

A pergunta implícita da WGSN é:“O mundo realmente precisa de mais silêncio — ou precisa de atitude?”



Duas narrativas opostas, dois futuros possíveis

2026 pode ser interpretado de formas distintas:


Segundo a Pantone:

O mundo está ruidoso demais. As pessoas precisam parar, respirar, refletir.

O caminho é o da suavidade, da quietude, da redução.


Segundo a WGSN/Coloro:

O mundo está urgente demais. As pessoas precisam se mover, agir, se responsabilizar.O caminho é o da transformação ativa.

Nenhuma das visões está errada, mas ambas revelam algo sobre como enxergamos o momento atual.


E afinal, qual narrativa faz mais sentido para 2026?

Essa é a grande questão.

Vivemos um mundo saturado de estímulos? Sim.

Precisamos de pausas, respiros e reorganização interna? Também.

Mas, ao mesmo tempo, enfrentamos desafios globais, ambientais, sociais, culturais, que exigem ação e não apenas contemplação.

O branco da Pantone sugere introspecção.

O verde da WGSN sugere movimento.

O ano que vem talvez não seja sobre escolher um ou outro, mas sobre equilibrar os dois.

Silenciar para organizar.

Agir para transformar.

A cor que melhor representa 2026, no fim, depende da lente de quem observa:o olhar que busca refúgio ou o olhar que busca mudança.



 
 
 

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